domingo, 2 de julho de 2017

Guardiões da Galáxia vol. 2 - Mary Poppins salva Pac Man



Por Davi Paiva

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!!!

Verdade seja dita: podemos dividir o público que foi ver o primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, de 2014, em três categorias: os que conheciam os personagens (pouquíssimos), os que sabiam que os personagens eram do universo cinematográfico da Marvel (uma boa parte) e aqueles que não sabiam absolutamente dos personagens (a maior parte).

Sendo assim, como o filme se tornou um sucesso?

A pergunta acima pode ter várias respostas: a série de filmes “Guardiões da Galáxia” não só tem bons roteiristas, o próprio diretor, James Gunn, em parceria com Nicole Perlman, como também a direção de Gunn é tão incrível que Kevin Feige, produtor de todos os filmes da Marvel, não precisa interferir em seu trabalho. Sem contar fatores como trilha sonora justificada dentro do filme, personagens com suas motivações e até a bizarrice de chamar o Vin Diesel para dublar um personagem dizendo somente duas frases em vários idiomas...

O primeiro filme teve orçamento de US$ 195,9 milhões e arrecadou quase US$ 774 milhões. Um sucesso de bilheteria e crítica (76% no Metacritic e 91% no Rotten Tomatoes).

Com tais números, não tem como não ficar ansioso pela continuação. Não é mesmo?

Fui ver o segundo filme no bom e velho PlayArte do Shopping Center 3 (bem que podiam me dar descontos no ingresso...) com alta expectativa e confesso que não saí arrependido, salvo pequenos detalhes.

Motivos? Vejamos...

Elenco: incrível como aumentaram a quantidade atores com quase o mesmo orçamento do primeiro filme (US$ 200 mi). Kurt Russel (em versão natural e rejuvenescido digitalmente), Sylvester Stallone, Michael Rosenbaum e até Michelle Yeoh se juntam ao grupo de super-heróis intergalácticos e mandam muito bem em seus papéis.

Atuações: ninguém deixou a desejar. Nem mesmo os atores do filme anterior (algo que ocorre em alguns casos, quando o sujeito fica “acomodado”). Os destaques vão para Russel, que criou um vilão bem egocêntrico (o que é justo, afinal, ele é o Ego) e Karen “Amy Pond” Gilan no papel de Nebula, que descobrimos ser uma personagem muito profunda.


Isso não é uma relação de pai e filho...

Roteiro: dessa vez, Gunn escreveu o filme sozinho. E o que ele nos entrega é algo digno da crítica (91% no RT, 76% no Metacritic e 8.1 no IMDb). Por mais que o segundo ato do filme seja meio parado comparado com o primeiro, o terceiro salva a obra tomando por base tudo que foi construído até então (quem poderia imaginar que as baterias roubadas por Rocket Raccoon fariam tanta diferença na trama?).

Direção: Gunn não seguiu uma fórmula muito diferente do primeiro filme, apesar de pequenos “exageros”. A primeira cena como se fosse um prólogo, uma abertura com música e alguém dançando (a diferença é que o público teve que se dividir entre ver o Baby Groot dançando e a “porradaria” ao fundo), piadas, cenas comoventes e um final de encher os olhos.

Trilha sonora: tem músicas marcantes como “The Chain” ou “My Sweet Lord”. De qualquer forma, colocar “Father and Son” no funeral foi uma puta falta de sacanagem para fazer aquele suor masculino escorrer dos olhos...

Humor: muitas pessoas adoram reclamar das “piadinhas forçadas” da Marvel. O que muitos se recusam a entender é que essa é a identidade da produção e a forma de eles lembrarem que super-heróis são admirados pelas crianças, que gostam de ver coisas engraçadas e bem humoradas. Logo, o segundo filme apresenta desde as falas bizarras de Drax ou Yondu gostando de ser comparado com Mary Poppins ao clássico humor “pastelão” de Peter saindo na porrada com Ego usando uma estátua de Pacman (o que me lembrou muito os filmes da série “Corra que A Polícia Vem Aí”, onde os atores faziam maluquices e mantinham expressões sérias).

Yondu: de vilão a “pai herói”. Quem diria? Em apenas dois filmes, Michael Rooker nos entrega um personagem que morre em uma cena comovente e vai deixar saudades. Diferente de um certo “homem de aço” em uma morte precoce...


 ... isso, é!

Mensagem do filme: como escritor, gosto muito de analisar as mensagens que determinados filmes, livros, jogos e seriados transmitem. E a meu ver, “Guardiões da Galáxia – vol. 2” nos dá uma mensagem importante sobre a família que valorizamos e pela qual somos valorizados. E isso é o que importa.


Obrigado a todos(as).

Nota: quantas cenas pós-créditos! E uma mais surtada que a outra...

Um comentário:

  1. Gostei deste texto! Amei Guardiões da Galáxia, Chris Pratt tem um grande desempenho! É um ator lindo, carismático e talentoso ❤️. Passageiros Filme é de seus trabalhos mais recentes. Tem um bom roteiro e visualmente nos limpa os olhos. Para uma tarde de lazer é uma boa opção! :)

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